terça-feira, 25 de novembro de 2014

Lachesis trigonocephalus
Cobra surucucu da América do Sul.

Muito azul ou purpúreo. Face púrpura em doença cardíaca. Hidropsia, fígado inchado e face púrpura na doença cardíaca. Agravação durante ou depois de dormir. Tonalidade azul.
Tem medo de dormir, pois sente que vai sufocar e os sofrimentos aumentam. Egocentrismo, presunção, inveja, ódio, crueldade. Excessivo amor próprio. Insanidade impulsiva. Ciumento, desconfiado, imagina que os outros estão tentando prejudicá-la, suspeita que as pessoas estão pensando em colocá-la no asilo, sonhos de morte, que está morta ou para morrer, pensa que está sob controle sobre humano, que existem comandos (como nos sonhos) que ela deve obedecer, pensa que é comandada para roubar, assassinar, insanidade religiosa, pensa que está cheia de maldade, loquacidade com deficiência de sequência no discurso, muito sensível aos arredores, muito perturbada por barulho. Ciúme insano. Fala rápido. Confusão com relação à hora, comete erros ao escrever. Compreensão rápida, atividade mental com percepção quase que profética. Êxtase. Pensa ser outra pessoa. Impaciente com coisas tediosas e insípidas, pavor da morte, transtorno por medo, decepção amorosa ou ciúmes.
Garganta e mente.
Garganta: dor intensa na garganta, mesmo quando há aparentemente pouca causa para isso. Sensação de constrição, sente como se tivesse uma massa na garganta. Não suporta ser tocado na garganta, sufoca-se ao dormir. Sintomas da garganta piores com bebidas quentes. Inflamações sérias de garganta, e de natureza destrutiva. Ulceração da garganta, vermelha, cinza, profunda, expansiva. Engolir seco é mais doloroso que engolir coisas sólidas. Difteria que começa do lado esquerdo (lateralidade esquerda) e se propaga para o direito. Garganta seca a noite, ao despertar. Garganta e laringe doloridas, garganta parece estar inchada, sensível, como se inflamada, principalmente no lado esquerdo, não suporta aperto na garganta, laringe dolorida, garganta sensível ao toque, tosse que piora ao dormir, tosse seca e curta.
Não gosta do calor, pode desmaiar em um banho quente.
Ataques de asma quando dorme. A respiração pára enquanto dorme. Distúrbios do sono, paciente desperta em agonia ou dor.
Dor de cabeça como se a cabeça estivesse explodindo, como se todo o sangue estivesse ido para a cabeça, dor de cabeça pulsante, com pulsação geral da cabeça aos pés. Dor de cabeça MARTELANTE, com face púrpura, olhos inchados, pior ao acordar, pior depois do sono. Dor de cabeça que se estende para o nariz.
Vertigem ao despertar, vertigem ao fechar os olhos,
Dores martelantes (nas fissuras anais, no ovário inflamado)

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nux vomica

           
Medicamento do temperamento explosivo. Policresto.
Temperamento ansioso, zeloso, colérico e quente. Disposição malévola, perversa, irrascível. O incidente mais trivial pode levar ao assassinato. Inquietação excessiva, exaltação e excitação morais, com muita sensibilidade, desejo de matar, leva tudo a mal, ofende-se com tudo, mal humorado, briguento, chegando até à violência, ansiedade extraordinária, tristeza, muito dado a repreender os outros por suas falhas, sente tudo muito fortemente, não pode suportar qualquer barulho ou conversa, muito hipocondríaco. Ansiedade com irritabilidade e inclinação a cometer suicídio, mas com medo de morrer. Pessoas fastidiosas, cuidadosas e zelosas. Preocupa-se com as pequenas coisas. Fica acordado a noite pensando nos negócios. Sente-se melancólico e triste, levado por impulsos a cometer atos que beiram a insanidade. Dispéptico, magro, faminto, seco, curvado para frente. Velhice prematura, sempre selecionando sua comida e não digerindo quase nada. Aversão a carne. Deseja coisas acres e amargas, tônicas. Homem de negócios, que preocupa-se com milhares de coisinhas ao mesmo tempo, preocupa-se com as pequenas coisas, fica acordado a noite com sua mente confusa com o turbilhão de negócios. Dorme por acessos e sobressaltos, e desperta as 3:00am. Melancolia e tristeza, mas sente-se como se fosse explodir.
Pior no tempo seco e ventoso.
Afeta todo o sistema digestivo, da boca ao ânus, todo o sistema respiratório, fígado e sistema portal, sistema urinário e genital. Afeta nervos e músculos, pele, sono. Febre.
Confusão ébria na cabeça. Embotamento da cabeça após jantar. Peso ébrio e vertiginoso na cabeça, dor na região occipital imediatamente depois de levantar da cama, dor de cabeça apertada, pela manhã, dor de cabeça como se ela tivesse sido golpeada por um machado. Dor de cabeça após comer, com náusea e vomito azedo. Vertigem como se girasse o cérebro, com momentânea perda de consciência.
Grande medicamento para bêbados.
Ardência no canto dos olhos, como por sal, ficam purulentos e lacrimejantes.
Resfriado comum: descarga profusa de muco, coriza pela manhã e durante o dia, sendo interrompida a noite, coriza com sensação de raspadura na garganta, formigamento e prurido no nariz, catarro com dor de cabeça, calor na face, frialdade e muco na garganta, espirros, garganta áspera pelo catarro, palato doloroso, garganta ferida, tosse violenta, com expectoração de sangue, tosse seca, com dor no peito, tosse que causa dor de cabeça, como se o cérebro fosse estourar. Enfermidades sérias por ficar resfriado são frequentemente removidas por Nux.
Gosto amargo na boca, gosto pútrido ao tossir, eructação de líquido amargo e azedo, náusea de manhã após comer, vomito de muco azedo, pressão no estômago depois de comer um pouco pela manhã, violentos sintomas gástricos, cólica que causa náusea, tensão acima do estomago, dor abdominal beliscante, como se fosse ocorrer uma diarreia por consequência de um resfriado. Hérnia inguinal, hemorroidas, dor cruciante no reto, após evacuação, sensação de sobrecarga no estômago após comer, dor no anel abdominal, como se fosse aparecer uma hérnia, dor no reto depois de evacuação e depois de refeição, especialmente após exercitar a mente e estudar, sensação de que a evacuação foi incompleta, desejo ansioso de evacuar, diarreia de cor escura. Paciente obrigado a evacuar três ou quatro vezes por dia.
Desejo frequente e ineficaz de defecar, ou evacua mas em pequenas quantidades a cada tentativa. Pode ser na diarreia ou na constipação. Isso acontece por ação peristáltica irregular dos intestinos. Disenteria com fezes pequenas e insatisfatórias.
Peristalse irregular nos órgãos abdominais. Ações desviadas em direções opostas, como acontece com o conteúdo intestinal, um tipo de anti-peristalse. Isso acontece também com os órgãos urinários: o paciente sente necessidade de urinar, porém é ineficaz. Urina é eliminada com dificuldade, dor queimante no colo da bexiga enquanto urina, coceira na uretra enquanto urina.
Náusea pela manhã com frialdade e ataques de desmaio quando menstrua.
Convulsões violentas, com face púrpura e parada da respiração, piores com a mais leve corrente de ar, cócegas nos pés, vomita com o mais simples toque na garganta. Paciente fica consciente ou semiconsciente durante todo o espasmo.
Espasmos, sensibilidade nervosa e frialdade.
Febre acompanhando inflamação na garganta, reumatismo, gripe.
Indigestão uma ou duas horas após comer. Sente gosto azedo, azia, por café, álcool, hábitos sedentários.
Enjoo por abuso de álcool ou café. Sonolento ao anoitecer até a hora de ir para a cama, quando então permanece acordado por 1 ou 2 horas.
Calor ardente em todo o corpo, com face vermelha e quente, mas o paciente não pode se descobrir sem sentir frio. Febre inflamatória, remitente, com inflmação da garganta ou reumatismo, gripe.
Indigestão 1 ou 2 horas após comer, com gosto azedo, azia, intumescimento, por café, álcool, abuso de drogas, hábitos sedentários, etc.
Sensação raspante em garganta e estômago, em condições inflamatórias.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Apis mellifica
(abelha)
                Medicamento obtido do veneno puro da abelha, obtido por compressão da abelha com uma pequena pinça.
            Acúmulo de líquidos, ausência de urina, pele vermelha, falta de sede, febre, respiração difícil, pulso fraco. Hidropisia, dores como picada de abelha, ardência, vermelhidão, inchaço, alívio pelo frio, pior pelo calor. Ação nos revestimentos: pele, mucosas, meninges, pericárdio. Inchaço, edema, picada. Pior no quarto quente.
Congestão cerebral, com convulsões que pioram com banho quente, erupções avermelhadas, náusea, urticária, choque anafilático, erupção na pele que coça e pica. Urticária, garganta (difteria), inchaço, edema, respiração difícil, pior pelo toque, calor seco alternado com suor, olhos muitos ruins, diarreia a cada movimento.
Paciente triste, choroso, deprimido, desconfiado, ciumento, com medo da morte, ansioso, choro constante, depressão espiritual, tristeza, melancolia, irritabilidade, dificuldade em coordenar os movimentos, torpor, deixa cair os objetos, sonhos inquietos, com preocupações do trabalho.
Boca e garganta seca. Respiração difícil. Vermelhidão e inchaço nos olhos, pálpebras, orelha, ânus.
Pele seca e quente, urticária, prurido na pele, erisipela, picadas, queimação. Quer banho frio. Falta de sede. Febre. Difteria, fechamento da garganta e laringe. Paciente triste, choroso, deprimido, desconfiado, ciumento. Medo da morte. Tracoma, vertigem e dor de cabeça.
Dores agudas, ardentes, em picadas, com edema, que melhoram por aplicação fria. Após o edema local, com vermelhidão, o edema é reabsorvido, os sintomas diminuem até a cura. Às vezes, pode ocorrer uma inflamação gangrenosa que tende à destruição dos tecidos. Estado inflamatório na pele, com ansiedade, angústia, dores queimantes e ardentes. Fenômenos de obstrução na traqueia, espasmos na laringe, respiração obstruída.
Inflamação dos testículos e ovários. Sensibilidade ao tato.
Cabeça parece estar distendida, pior pelo movimento e melhor por pressão. Dores de cabeça súbitas e penetrantes, vertigem que piora fechando-se os olhos.
Olhos sensíveis à luz, inchados, com a conjuntiva vermelha, inchada, pálpebras inchadas.
Face congestionada, inchada, vermelha, ou bem pálida, flácida, com edemas ao redor dos olhos.
Difteria violenta, com toda a garganta inchada, com oclusão da laringe.

Dispneia, dificuldade para respirar. Inflamações do pericárdio.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Febre e convulsão
            O recrudescimento das doenças infecciosas no Brasil é uma realidade preocupante para os médicos em geral e a febre, na maioria das vezes decorrente deste estado, é mal compreendida pelos médicos, como também por aqueles que necessitam de seus cuidados. Pelos primeiros, porque, na tentativa de curá-la, utilizam-se de antitérmicos prejudiciais à saúde. Pelos pacientes, porque são vítimas do tradicional – e errôneo – conceito de que a febre é uma manifestação maléfica do organismo, sendo necessário combatê-la a qualquer preço.
Um estudo mais profundo demonstra que ambas as posturas estão equivocadas. Através desses estudos compreende-se que a febre é uma das principais defesas do organismo, na verdade, uma proteção contra um agente desencadeante, uma perturbação psicológica ou física. Por isso, a utilização de antitérmicos, banhos frios ou outras terapias na tentativa de eliminar a febre são desaconselháveis, porque deixam o organismo desprotegido.

            Reação dos mecanismos defensivos do organismo: Febre
Nosso organismo como um todo é mantido em harmoniosa atividade vital pela lei básica de conservação, que se estabelece através dos mecanismos de auto-regulação. Quando este organismo se vê agredido por um agente desencadeante qualquer, surgem nele reações, que trazem um caráter eminentemente individual. Quando o fator desencadeante é um agente infeccioso produzindo uma interação agente-hospedeiro-meio, que se instala no hospedeiro dado o desequilíbrio da energia vital deste, a reação dos mecanismos defensivos do organismo se traduz por três fenômenos básicos:
1)    Febre
2)    Alterações funcionais e da estrutura dos órgãos
3)    Formação de anticorpos
Analisemos o fenômeno febre. A febre consiste num aumento da temperatura do nosso corpo pela alteração funcional do centro termo-regulador do hipotálamo (pequena região anatômica da base do cérebro). Cada animal tem uma temperatura corporal que lhe é própria, sendo constante nos mamíferos, entre os quais está o homem, qualquer que seja a temperatura ambiental. Para que esta temperatura se mantenha, são necessárias três condições: a produção contínua de calor (termogênese), através da queima de glicose (açúcar), ácidos graxos e aminoácidos (metabolismo), possibilidade de eliminação do calor não necessário ao organismo e mecanismos reguladores das duas condições anteriores.
É através dos estímulos emanados do hipotálamo que a regulação da produção contínua de calor se faz; qualquer condição que altere os mecanismos reguladores da termogênese determina redução ou aumento da temperatura corporal, resultando respectivamente a hipotermia e a hipertermia. A hipotermia é o estabelecimento de uma temperatura corporal abaixo do valor considerado normal, isto é, 36,5 ºC medido na axila. A hipertermia pode ser febril e não-febril. A não-febril consiste apenas em elevação da temperatura corporal sem outras alterações, de modo que o indivíduo não sente suas manifestações, como acontece por exemplo na insolação, que pode naturalmente servir de fator desencadeante para uma série de sintomas mórbidos posteriores dependendo do momento vital do indivíduo.
A febre ou hipertermia febril (pirexia) é um complexo conjunto de alterações funcionais no qual toma parte o sistema nervoso, diversos aparelhos e modificações do metabolismo. Nas moléstias infecciosas a febre pode se manifestar basicamente em três períodos:
a)    Período inicial ou estado do calafrio: pode apresentar-se de vários modos, sempre com caráter absolutamente individual: em certos casos a temperatura sobe bruscamente e rapidamente; em outros casos, essa ascensão é lenta atingindo o máximo em alguns dias. O início pode ser assinalado por arrepios de frio ou calafrios, que são tanto mais intensos quanto mais rápida foi a subida da temperatura.
b)    Período do calor: o período de calor caracteriza-se pelo ponto mais alto atingido pela temperatura; este período pode ser contínuo durante todo o dia ou vários dias e pode variar no mesmo dia ou em dias sucessivos, resultando os diversos tipos de febre.
c)    Período da sudorese (transpiração): constitui a queda da temperatura, que se sucede ao período do calor, resolvendo-se em algumas horas ou lentamente durante alguns dias. Este período representa o esforço do mecanismo termorregulador a reconduzir a temperatura corporal ao normal pois a evaporação do suor baixa a temperatura.
Geralmente, após ter-se normalizado a temperatura e o dente estar em franca convalescência há uma nova ascensão da temperatura que dura um dia ou no máximo dois, que é conhecido pelo nome de febre póstuma, por que se manifesta depois que “morreu” a moléstia. Este pico de febre é de grande importância para o organismo por que corresponde à instalação da imunidade.
Segundo o grande patologista Prof. Dr. Walter Edgard Maffei afirma em seu livro “Os Fundamentos da Medicina”, - “muito se tem discutido sobre esse assunto, de modo que, segundo uns, a febre representaria o esforço do organismo em criar condições impróprias ao agente e, portanto, um elemento útil no combate à infecção; segundo outros pelo contrário, a febre seria um sintoma prejudicial ao organismo, citando as diversas alterações que ela pode determinar e os perigos dela decorrentes, preconizando para isso os medicamentos antipiréticos, atribuindo-lhes um efeito benéfico nos doentes e desaparecimento dos sintomas mais perigosos. Entretanto a observação dos fatos da clínica diária e as estatísticas sobre a mortalidade das moléstias infecciosas tratadas com e sem antipiréticos não mostraram qualquer diferença significativa em favor do tratamento com os antipiréticos”.
A observação imparcial, científica, mostra que nos indivíduos desnutridos, alcoolistas, as moléstias infecciosas evoluem sem febre e até com hipotermia e, por isso, são sempre fatais; são também graves as moléstias que, em certos indivíduos, evoluem com febre baixa quando habitualmente deveriam ter febre elevada, demonstrando a precariedade dos seus mecanismos defensivos. Por isso mesmo, diversas moléstias são tratadas, na medicina alopática, provocando-se febre artificial pela injeção de substâncias dotadas dessa propriedade.
“Convulsão febril”
Do mesmo modo, se o indivíduo tiver um terreno epilético heterozigoto a infecção poderá ser a causa desencadeante das crises convulsivas, sempre absolutamente benéficas, fato este mais comum em crianças e erroneamente rotuladas de convulsões febris.
A convulsão, como a febre, é uma reação do organismo na tentativa do reequilíbrio, e como deve ser respeitada. Geralmente, o quadro que se forma durante a convulsão costuma provocar receio nas pessoas, por isso manter a calma é a primeira medida que se deve tomar para melhor auxiliar as pessoas que a têm. Basta tomarmos os seguintes cuidados: virar o paciente de bruços ou de lado, verificar se não existe nada lhe apertando, tomar cuidado com a cabeça quando ele estiver se debatendo e, posteriormente, procurar um médico.
A febre em si, portanto, representa um complexo de alterações do organismo no sentido de desencadear o processo de cura, sendo que a atenção deve estar voltada para a totalidade dos sintomas mentais, locais e gerais do indivíduo, sendo que o abaixamento puro e simples da temperatura deve ser uma consequência necessária e suficiente do retorno do organismo como um todo à harmonia vital.
Artigo retirado da revista “Similia” nº 63, verão/87.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Allium cepa
(Cebola)
Medicamento agudo, de grande uso no resfriado inicial.
Dor de ouvido, flatulência, ferimentos no ânus, ferimentos na laringe, tosse, dor na laringe, dor em membro amputado, lacrimejação excessiva, tosse como se fosse romper a laringe, calcanhar ferido e escoriado. Condições catarrais e dores pior ao anoitecer. Medo de que as dores se tornem insuportáveis. Pigarro, dor de garganta que se estende para o ouvido direito, náuseas, dores no fígado, urina escaldante, arrepios de frio, aumento da micção, aumento do apetite e sede, provocam menstruação, tosse crônica, letargia, dor de cabeça.
Resfriado: catarro que escoria o nariz e o lábio superior, lágrimas suaves, dores de cabeça frontais, fotossensibilidade, entupimento das narinas, coriza com dor de cabeça. Tosse pior no ar frio, crupe, espirros, formigamento no nariz, dor de cabeça frontal e occipital, sensação de calor e sede melhor ao ar livre e pior dentro de casa, inflamação dos ouvidos, olhos e laringe. Coqueluche, medo de tossir. Ardor nos olhos, com capilares injetados e muitas lágrimas. Coriza. Paralisia no lado esquerdo da face.

Dor cortante no ventre, gases, sangramento no ânus dos bebês, com cólicas e assaduras. Dores nos nervos, pés doloridos por atrito, arrotos, inchaço no abdômen, flatulência, aumento da sede e do apetite, criança grita por dores no ventre, cólica. Arrotos, dores no fígado, urina escaldante. Dores de cabeça.


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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

OS MECANISMOS DEFENSIVOS HUMORAIS DO ORGANISMO
Parte II

Às vezes os anticorpos não conseguem realizar a imunidade, mas da ação entre os antígenos penetrados no organismo e os anticorpos por ele produzidos ou nele existentes resultam manifestações variáveis de um caso a outro, indicando modificação ou alteração da reação do organismo. Esta reação modificada ou alterada constitui a alergia.
O termo alergia foi introduzido na patologia em 1905 pelo pediatra Clemens Von Pirquet, resultante da observação dos doentes tratados com soros específicos para certas moléstias infecciosas, os quais apresentavam um quadro clínico variável de um caso a outro, mas frequentemente representado pela urticária (áreas de eritema ou pontos avermelhados e até formação de bolhas, com sensação de queimadura ou coceira). Von Pirquet explicou estes fenômenos estabelecendo que a ação do soro específico determinava a alteração da reação do organismo e daí a denominação de alergia dada a esse modo de reagir do organismo. Como qualquer moléstia ou um simples sintoma representa uma reação alterada do organismo, segue-se que a alergia representa toda a medicina o que, aliás foi também estabelecido pelo próprio Pirquet.
Em 1891, Roberto Koch descobriu o bacilo da tuberculose. Ele demonstrou que inoculando-se os bacilos em uma cobaia sã, após um prazo de 20 a 30 dias verifica-se uma lesão nodular a qual amolece e depois se ulcera, acompanhada de igual comprometimento do gânglio satélite, assim permanecendo até a morte do animal pela generalização da moléstia. Se nesta mesma cobaia injetarmos uma nova dose do mesmo bacilo, verificar-se-á 24 horas após, um processo inflamatório violento, de intensa congestão local, que se apresenta como um nódulo cor vermelho-violácea, necrosando-se rapidamente, cujo material necrótico é eliminado para o exterior, resultando em uma escara cianótica, mas sem repercussão ganglionar; esta escara cicatriza-se enquanto que  a tuberculose produzida pela primeira inoculação continua sua evolução (fenômeno de Koch).
Segundo Pirquet, quando penetra um antígeno no organismo, este reage formando os anticorpos; se depois penetrar uma nova dose deste antígeno, dá-se o choque deste antígeno com aqueles anticorpos, resultando os fenômenos mórbidos. Por isso a primeira dose do antígeno é chamada sensibilizante, e a segunda dose é a desencadeante.  
Sendo assim, alergia é a reação alterada do organismo, produzida pelo choque antígeno-anticorpo.
A alergia é o choque antígeno-anticorpo, que acontece nos tecidos, apresentando quadro anatomopatológico. A anafilaxia é semelhante à alergia: acontece nos tecidos, apresentando quadro anatomoclínico, porém há sempre um órgão específico para cada espécie, que é denominado órgão de choque. A anafilaxia é transmissível passivamente de um animal a outro, através do sangue dos animais anafilactizados injetado em animais normais. A alergia não tem órgão específico e não é transmissível. 
A imunidade consiste no choque antígeno x anticorpo que se processa nos humores, sendo que os tecidos são alheios a este fenômeno.  Assim, alergia e imunidade são fenômenos opostos: quando a alergia predomina, a imunidade é baixa e vice-versa. O estado de saúde aparente em que vivemos consiste no equilíbrio entre a alergia e a imunidade. Este equilíbrio, porém, é instável e rompe-se sempre no sentido da alergia. A imunidade adquirida resulta da alergia.
A alteração na alergia pode ser de intensidade, tempo e quantidade. A reação do organismo é alterada para mais ou para menos (hiperergia e hipoergia, respectivamente). A reação pode ainda ser tão atenuada que chega a ser quase nula (anergia). Um exemplo de hipoergia é uma inflamação crônica banal.

(Resumo do capítulo 'Os mecanismos defensivos do organismo'  do livro 'Fundamentos da Medicina' de Walter E. Maffei, feito por Alice Sanchez Cupolillo)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

OS MECANISMOS DEFENSIVOS HUMORAIS DO ORGANISMO
(Parte I)

Moléstia é o conjunto de alterações funcionais e orgânicas, de caráter evolutivo, que se manifesta em um indivíduo atingido por um agente exterior, contra o qual o organismo reage. Sendo assim, todo organismo é dotado geneticamente de mecanismos defensivos contra a ação de diversos agentes que se encontram no ambiente em que ele vive, e todos os sintomas por ele apresentados em consequência da ação destes agentes representam a exteriorização desses mecanismos defensivos. Sendo assim, os sintomas não são algo externo ao organismo, mas sim a exaltação de mecanismos já existentes, em um determinado momento da sua vida, pela ação conjugada dos diversos momentos patogênicos.
Estes mecanismos são de natureza celular e humoral (anticorpos). Os anticorpos são formados a partir da presença de qualquer proteína estranha que penetre no nosso organismo, ou nele formada (antígenos, ex: toxinas, células bacterianas, moléculas proteicas). Os anticorpos são formados pelo S.R.E., particularmente no baço e gânglios linfáticos, pelas células linfocitóides, histiocitos e plasmócitos.
Os anticorpos unem-se ao antígeno e o neutralizam, destroem ou o precipitam. A formação de auto-anticorpos ocorre quando as substâncias do próprio organismo apresentam alguma modificação bioquímica, agindo como substâncias estranhas.
É através da formação dos anticorpos que se realizam os fenômenos de imunidade adquirida ativa ou passiva, frente à aquisição de uma infecção em sua forma clínica ou subclínica ou pela administração de uma vacina ou soro.

A formação dos anticorpos é uma propriedade inerente ao genótipo, dependendo da homeostasia e, por isso, é variável de um indivíduo a outro e também com a idade e o estado de nutrição.

(Resumo do capítulo 'Os mecanismos defensivos do organismo'  do livro 'Fundamentos da Medicina' de Walter E. Maffei, feito por Alice Sanchez Cupolillo)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Interessante publicação da Revista de Medicina da USP, sobre o princípio de cura homeopático - princípio da semelhança, de autoria do prof. Marcus Zulian Teixeira. 

http://www.revistas.usp.br/revistadc/article/viewFile/79999/83919


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A constituição mórbida
Parte II

Na realidade, a diátese fundamental, que não só foi originariamente o terreno predisponente para a implantação da sífilis e da sicosis, mas também a expressão da atividade exonerativa da energia vital, é a psora, que representa a primeira e única afecção crônica do ser humano.  Sua característica principal é sua capacidade em produzir reações de choque, como as enfermidades agudas, que podem ser desencadeadas por uma causa excitante ou alérgica de tipo cósmico, microbiano ou emocional. Sempre é a psora que reaciona paroxisticamente, exonerando os processos mórbidos do centro para a periferia, de acordo com a lei de cura.
(...) A possibilidade de mudanças estruturais patológicas resultaria de uma fixação do fenômeno alérgico reativo em órgãos de choque que correspondem ao gênio mórbido de cada diátese e obedeceria a tendência destrutiva da sífilis: úlceras, necroses, ou proliferativa da sicosis: verrugas, pólipos, excrescências, supurações, neoplasias e tumores.
A psora é puramente funcional, reativa, com manifestações congestivas, paroxísticas, neurovegetativas, álgicas, espasmódicas e pruriginosas.
Como exaltação do fenômeno primário e do primeiro movimento de defesa orgânica, está a expressão da vitalidade e da capacidade reacional essencial para a preservação da vida. O homem deve saber que nunca poderá curar-se totalmente da psora, que pode somente reduzi-la a um estado de silêncio ou psora latente, por que a psora é conflito, inquietude, desassossego, estado de alarme e alerta, que promove a atividade vital, e este estado de alarme, hipersensibilidade e conflito é característico do ser humano, sempre pronto para mostrar a ansiedade oculta.
Na sífilis, não há conflito sem exacerbação da agressividade destrutiva, e na sicosis, exaltação pervertida do instinto sexual. A ansiedade ou medo nos seus diferentes aspectos são a primeira manifestação do conflito entre o homem e seu meio, e o primeiro sintoma da enfermidade no ser humano, traduzido por Hahnemann, em termos de um prurido mental, que se expressa exonerativamente pelo prurido na pele, elemento fundamental da psora.
Na realidade, a diátese ou discrasia fundamental e única é a psora, que não é uma enfermidade e sim uma atividade reativa anormal com a qual o organismo responde à agressão suscitante de qualquer índole. Não pode haver outra forma de reação mórbida além da que corresponde à atividade fisiológica do catabolismo, antagonista do anabolismo, que incorpora os elementos constitutivos do indivíduo, tanto no aspecto físico como psicológico.  O catabolismo é eliminação, expulsão, drenagem, exoneração dos catabólitos, seguindo a lei excêntrica de cura, que tanto vale no plano psíquico como físico, com a eliminação de tudo o que perturba a mente, nessa necessidade de expressar-se, de expandir-se, exteriorizar-se, que tem a mente. A ansiedade, que constitui a perturbação primeira de toda patologia, não pode ser suportada pela mente, pelo eu, que necessita expulsá-la, derivá-la, expressá-la, seja simplesmente através de uma conversa paliativa, seja projetando-a sobre o organismo que converte a enfermidade ansiosa em enfermidade orgânica.
A sífilis e a sicosis são diáteses patológicas, por que causam uma modificação negativa à capacidade exonerativa da psora, um dinamismo de anergia ou perversão do processo alérgico representado pela psora.
Os miasmas não são enfermidades, e sim alterações na dinâmica vital.
Qual a necessidade de formular clinicamente a existência do terreno miasmático ou diatésico?
Tem importância para a clínica diária a formulação conceitual do terreno miasmático ou constitucional que subexiste de forma latente à enfermidade atual?
Não bastaria, para curar o paciente, aplicar os medicamentos que sucessivamente correspondam às síndromes que o mesmo vai apresentando durante o tratamento? (...).
Como a finalidade do médico é curar o paciente, como Hahnemann descreveu no 3º parágrafo do Organon, que impõe a necessidade de que o médico saiba o que é curável em cada paciente em particular, e para saber o que se deve curar em cada paciente, é necessário explicar os sintomas, compreender a gênese dos sinais psicológicos, fisiológicos e patológicos que o paciente apresenta, estudando a etiologia do processo atual.
A medicina deve ser eminentemente etiológica, do contrário não será mais que um mero naturalismo mecânico ao serviço de uma clínica desumanizada.
Nesse sentido, a mera aplicação da lei da semelhança não basta para a eleção do remédio.
É necessário compreender o paciente na totalidade da sua história e compreender a clínica homeopática derivada, não da patologia, e sim das patogenesias que transcrevem uma alteração dinâmica do organismo como uma unidade funcional.
Se o paciente apresenta um quadro atual de reumatismo e com o medicamento correspondente, desaparecem os sintomas, teremos direito a pensar que a enfermidade foi curada.
Porém se o quadro reaparece, os sintomas voltam depois de um tempo e é necessário dar outra dose do medicamento, continuando assim repetindo periodicamente o remédio na mesma dose, aumentando-a quando não apresenta resultado, até que chegamos a um limite, no qual o medicamento já não atua mais. Outras vezes o paciente volta sucessivamente nas consultas, cada vez com sintomas novos, mudados, que podem ser sintomas já experimentados pelo paciente anteriormente, ou expressões do processo mórbido em progressão: cólicas intestinais, enxaquecas, resfriados em repetição, crises de alergia, fenômenos eruptivos, etc.
Que significado tem esse retorno dos sintomas depois da aplicação rigorosa da lei terapêutica da semelhança ou a aparição de quadros de afecções diversas subsequentes à desaparição da primeira? Onde estava a enfermidade nos períodos intercalares entre as diversas manifestações sintomáticas e nos momentos em que o paciente sente-se melhor, sem sintomas, até que estes retornaram e exigiram novas doses do remédio?
É evidente que não havendo patologia ou não correspondendo os sintomas à lesão patológica que o paciente possa ter, a enfermidade que se reduz a silêncio, para ressurgir periodicamente, não pode ser outra coisa além de uma perturbação dinâmica, uma alteração silenciada momentaneamente da  capacidade reativa do organismo, um organismo que quer cumprir a função essencial de todo organismo, a liberação de energia, seja através da produção de calor de toda a máquina e a exoneração dos catabólitos combustionados ou como a liberação da energia instinto-emocional no processo expansivo da sua personalidade, e que nesta primordial função  autocurativa e inerente à sua própria natureza, tenha se hipersensibilizado no estado de susceptibilidade que mantém um sistema de reflexos condicionados, o que fez Hahnemann dizer que a enfermidade crônica não se cura sozinha, é preciso romper o círculo vicioso dos reflexos condicionados organizados em sistema reiterativo.
Com tudo isso, reafirma-se que a psora, exaltação anormal, hiperérgica da capacidade reativa do organismo em sua função primordial de repelir do centro até a periferia, da mente até os envoltórios tudo o que, do exterior ao interior, atenta contra o equilíbrio homeostático do seu meio interno, desde a ansiedade até a infecção exógena, é a enfermidade essencial e única do ser humano, a condição dinâmica de perturbação, que o predispõe para todas as demais enfermidades e que toda atividade reativa do tipo paroxístico, acessional, agudo, exonerativo, é a expressão brusca, estalante, da reação psórica representada como um paradigma biológico, pelo paciente que externaliza a ansiedade pruriginosa e inquietante da sua mente até a superfície do seu corpo convertida em prurido.

(Final da tradução do capítulo "La Constitucion morbida" de Tomás Paschero, por Alice Sanchez Cupolillo)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A constituição mórbida
Parte I

            Na profundidade de toda patologia, como gênese de todos os processos fisico-químicos que criam todas as mudanças estruturais dos tecidos, existe um distúrbio dos mecanismos normais da defesa imunitária que tem como objetivo manter a vida, tanto na saúde quanto na doença. Analisando em seu aspecto fundamental e primário, estes mecanismos de defesa que o ser humano põe em jogo para ajustar-se adaptativamente à vida, observamos que a função essencial do organismo é a liberação de sua energia, que na psicologia é a prospecção do eu, a necessidade de expressar-se, expandir-se, projetar-se, e no plano orgânico, a tendência a exonerar os produtos metabólicos desde os centros de atividade vital, até os órgãos de eliminação ou drenagem encarregados de exonerar os dejetos mórbidos da atividade vital.
            Toda transgressão no curso normal desta trajetória até a periferia, regida pela fundamental lei de cura, implica uma inibição patógena, ou supressão, que gera um estado diatésico de susceptibilidade alérgica, que Hahnemann chamou de Psora.
            Originalmente na concepção hahnemanniana, a psora resultou da supressão de uma manifestação cutânea exonerativa pruriginosa , que dá lugar uma perturbação interna pelo retrocesso da energia vital eferente. A energia vital retropulsada, contrariada em sua trajetória excêntrica, é internalizada e convertida em tensão que suscetibiliza o indivíduo, estabelecendo uma forma de reatividade hiperérgica, paroxística, aguda, que eclode em episódios, nos quais se mostra uma brusca exaltação das defesas orgânicas reguladas pela lei de cura. Toda a patologia funcional baseia-se no fenômeno fisiológico da susceptibilidade que não é mais que a exaltação do processo normal da reação de defesa ou de alarme frente ao agente estressante que pode ser de origem externa ou interna. 
O que realmente constitui um sintoma é aquele que tem caráter de exagero e rompe a harmonia com os demais elementos da reatividade psico-orgânica. Sentir frio é normal, porém sentir frio desproporcionalmente aos demais elementos psicofísicos condicionados pelo ambiente, em correlação com o meio interno, é anormal.
A susceptibilidade (hipersensibilidade) ou capacidade de registrar os estímulos externos ou as emoções com especial acuidade, que provoca uma reação desproporcional, é o que constitui o problema atual da alergia e o que fundamenta o fenômeno essencial da psora, que Hahnemann percebeu antes de todas as concepções de imunidade e anafilaxia.
A alopatia não perdoa Hahnemann por ter confundido a sarna com a psora e não pôde compreender que ele referia-se ao terreno que torna possível o desenvolvimento do ácaro. Da mesma maneira pode ser picada pelas pulgas ou molestadas pelas moscas as pessoas sensíveis que geralmente apresentam o quadro de Suphur. A psora é então um terreno, uma diátese, uma discrasia constitucional, referida a uma suscetibilidade alérgica e resultado de antigas repressões da corrente eferente que normalmente cursa a corrente vital, com o que essa diátese passe a ser a consequência da primeira e fundamental transgressão à lei natural de cura que rege toda a atividade biológica e tem como objetivo manter constante a composição do meio interno.
Os sintomas que expressam este estado diatésico constitucional são do tipo acessional, crítico, com agudização crítica dos fenômenos de defesa, brusca vascularização congestiva, aumento da permeabilidade dos capilares, espasmos dos músculos lisos, crises exudativas da pele e mucosas, ou seja, todas as manifestações paroxísticas e agudas.
Quando estes sintomas não se manifestam, subsiste um estado latente, que a patologia alopática não concebe, e que só pode ser conhecido pelas patogenesias medicamentosas, sento as mais representativas as de Sulphur e Psorinum.
É importante ressaltar que a psora resulta primariamente da supressão das manifestações da pele, órgão eliminador por excelência e primitivamente resultante, segundo Hahnemann, da supressão pelo prurido. (...) A psora não pode existir sem a supressão da corrente eferente exonerativa que postula a lei de cura de Hering.
Quando a pele não cumpre seu papel biológico, ela é suprida pelos intestinos, que exercem uma função suplementar de eliminação. Os sintomas intestinais da psora latente equivalentes às erupções pruriginosas da pele, dão lugar a todas as síndromes das quais a presença de parasitos constitui um dos mais típicos e frequentes, desde amebas até tênias e áscaris.
(...) Assim, recapitulando tudo o que foi dito, poderíamos dizer que a excitação primária que constitui a reação de alarme do organismo frente à agressão externa, corresponderia, em sua perturbação, à psora, que passa assim a ser entendida como um estado de perturbação dinâmica permanentemente condicionada pela excitação supernormal ou hiperérgica aos estímulos condicionantes.
Este estado diatésico (...) que seria produzido por infecções repetidas do passado ancestral, colocaria o organismo em condições de receptividade ou susceptibilidade para que sucessivas infecções produzissem dois estados no organismo: um no sentido da atividade inibidora da energia vital, e outro da atividade alteradora das funções orgânicas (...). Assim explica-se a gênese dinâmica de toda patologia em função de um distúrbio dos mecanismos normais da defesa orgânica imunitária, criando-se primeiramente um estado diatésico de hiperexcitação alérgica que faria possível a impressão, na força vital assim perturbada, de uma tendência inibidora, de anergia, ou falta de reação imunitária que levaria à destruição e à necrose dos tecidos  - tendência determinada pela sífilis – e uma direção oposta, compensadora, aumentativa, de proliferação degenerativa, com formação de tumores, pólipos, verrugas e neoplasias, provocada pela parte da sycosis, diátese correspondente à blenorragia ou à incorporação de proteínas estranhas.
(Tradução feita por Alice Sanchez Cupolillo do capítulo "La constitucion morbida" do livro "Homeopatia" de Tomás Paschero, editorial "El Ateneo").


Aguardem a segunda parte da tradução, obrigada! 
 - Alice S Cupolillo

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Psicossomatismo em Homeopatia

Psicossomatismo em Homeopatia
            Para a homeopatia assim como para o pensamento médico moderno que encara o problema dinâmico da enfermidade, todas as afecções tem um caráter psicossomático, desde que todo o psicológico tem sua conotação corporal e vice-versa. A separação de alma e corpo é inadequada à nova concepção de vida de acordo com o moderno avanço científico (...). A enfermidade deve ser considerada como um comportamento especial do ser vivo, como um fenômeno vital, pleno de sentido, que se realiza através de uma estrutura organizada.
            Desde que Einstein comprovou que a massa de um corpo dotado de um movimento rápido cresce com o aumento da velocidade, estabeleceu-se a identificação de massa e energia, com o que se deu o primeiro passo para unir a mecânica, a eletrodinâmica e a biologia em um só sistema de equações. A imagem do macrocosmo mundo mudou e, como consequência, também mudou a imagem do microcosmo homem.
            Já não se podia estabelecer uma franca distinção entre o material e o imaterial e, portanto, não se podia seguir aplicando em medicina, ao estudo do imaterial, o psíquico, cujo caráter é puramente qualitativo e não-espacial, os mesmos  métodos quantitativos que se aplicavam ao material e corporal. A separação da medicina e da psicologia deveu-se à essa impossibilidade de aplicar à mente os métodos quantitativos que serviram para a exploração mecânica dos processos biológicos, tal como o fizeram brilhantemente a escola experimental com Claudio Bernard à cabeça, há feito que a medicina chegara a saber muito do organismo como máquina biológica, mas muito pouco ou nada do homem.
             Pela índole de sua base experimental, com reações patogenéticas puramente dinâmicas, o homeopata é levado à investigar não a função de um órgão (...) e sim o funcionamento de um ser humano como pessoa, de uma unidade viva que atua como tal em sua adaptação ao meio cosmo-social. Nenhuma semiologia objetiva ou investigação instrumental dos fenômenos psíquicos dará ao homeopata a compreensão dessa essencialidade ou realidade intrínseca, não espacial, e não medicável, como é a mente.
            A única maneira de chegar a essa realidade essencial é mediante o instrumento de nossa própria capacidade de consciência, nossas próprias vivências internas, as que, por empatia e identificação, nos permitem captar as vivências afetivas e níveis de consciência do enfermo. Só assim, pode o homeopata perceber a autenticidade do sintoma e saber com certeza quais são os três ou quatro sintomas realmente característicos de um enfermo que representa essa totalidade essencial. Se é possível chegar a esse centro vital e compreender a íntima personalidade do paciente, não é necessário tomar em conta os sintomas patológicos ou de superfície para prescrever com segurança o similium.
            O médico homeopata deve ter uma clara visão filosófico-científica do problema, e estar realmente convencido de que a enfermidade é um comportamento biológico, que não existem fenômenos patológicos derivados de uma fisiologia distinta em sua natureza da fisiologia normal, como concebeu-se na época mítico-mágica da medicina, na qual acreditava-se que a enfermidade era algo estranho ao organismo, como um gênio maléfico, ideia que ainda prevalece em alguns médico, transferida ao germe ou ao vírus.
Seguem-se usando expressões como a que o indivíduo contraiu uma enfermidade, sem haver incorporado em nosso acervo cultural médico a convicção de que a enfermidade é o mesmo processo vital que ocorre na saúde em seu tramite constante de adaptação e que não é outra coisa senão exaltação fisiológica para restaurar o equilíbrio psíquico e homeostático do indivíduo (...) sendo assim, a enfermidade é um processo curativo que o médico deve ajudar, corrigir ou endereçar, segundo a alteração miasmática da vis medicatrix.
Com esse critério, absolutamente importante no médico moderno, que concebe a enfermidade como um aspecto especial da vida, uma manifestação crítica da atividade do ser humano total no seu processo normal de adaptação, a homeopatia segue como única medicina antropológica, medicina exigida pela crise do organismo atual, que contempla o homem em sua totalidade como ser que cumpre um sentido pessoal de vida e confere um sentido à sua enfermidade.
(...) Não há nenhuma dúvida de que grandes clínicos de todos os tempos tiveram a visão intuitiva de que uma crise alérgica, um ataque de asma, uma diarréia, um eczema, uma úlcera de estômago, uma afecção reumática, etc. eram expressões simbólicas de tendências, desejos ou conflitos entre os impulsos instintivos e a consciência moral, entre o pathos e o ethos de cada ser humano, o qual conferia à perturbação funcional e à estrutura patológica o sentido de uma tentativa de solução, obedecendo ao elemento instinto de autoconservação. (...) Hahnemann chegou a descobrir que a totalidade de acontecimentos (sintomas) tinham a raiz comum de uma perturbação dinâmica da força vital, à qual deu o nome de miasma. Miasma não é uma infecção ou intoxicação, mas sim uma alteração vibratória da energia vital que determina o temperamento, modo de ser ou comportamento biológico do indivíduo e estrutura uma constituição ou forma tissular genericamente biotípica. É nessa perturbação radical onde achamos a essência da enfermidade, por que ali está a Genesis do homem, tanto no seu comportamento biológico quanto na formação caracteriológica com a qual deve enfrentar a vida. É precisamente esse comportamento biológico, que dá os sintomas gerais do corpo, e a personalidade caracteriológica, que proporciona os sintomas mentais, dão de consumo a imagem clínica dessa perturbação radical que leva implícita o sentido do processo mórbido. É esse gênio da enfermidade ao qual o homeopata deve adaptar o gênio de um medicamento que se converte em seu similimum.
(...) A homeopatia pode falar de cura, no sentido de ajudar para que os seres humanos possam realizar livremente seus altos valores transcedentes, quando aplica o similimum, vale dizer, sobrepor a imagem essencial de um medicamento com a imagem da indiocrassia profunda de um paciente. Do contrário será apenas mais uma terapêutica, organicista, paliativa ou supressora de sintomas, mas não corretora do comportamento biológico e da conduta do indivíduo como pessoa, que é o que deve ser curado no homem.
(Tradução e resumo feitos do capítulo "Psicossomatismo em Homeopatia", do livro 'Homeopatia' de Tomás Pablo Paschero, Editorial "El Ateneo", por Alice Sanchez Cupolillo.) 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Abriremos nosso blog com o Parágrafo 9, do Organon da Arte de Curar, de Hahnemann!

"No estado de saúde, a força vital de natureza espiritual (autocracia), que dinamicamente anima o corpo material (organismo), reina com poder ilimitado e mantém todas as suas partes em admirável atividade harmônica, nas suas sensações e funções, de maneira que o espírito dotado de razão, que reside em nós, pode livremente dispor desse instrumento vivo e são para atender aos mais altos fins de nossa existência"