A Natureza da Vida e das Moléstias
A vida é um movimento contínuo,
incessante, de composição e decomposição, que se passa no interior dos tecidos
do ser vivo colocado em um meio conveniente. Não há nada similar à vida entre
os outros fenômenos naturais. As reações químicas que acontecem nos seres vivos
variam incessantemente, e não param senão com a morte. Assim, todas as
combinações que se passam no nosso corpo entre os elementos dos nossos tecidos
e os materiais nutritivos que neles penetram são móveis, instáveis e contínuos.
São físicos e químicos em sua forma, mas se fazem e desfazem por uma causa
superior, que não é física nem química. A
vida, como se diz vulgarmente, é uma constante adaptação do organismo ao meio. Quando
existe harmonia, há saúde; quando ela deixa de existir, diz-se que há moléstia.
A moléstia, como a saúde, tem sua sede na força vital. A moléstia é o
desarranjo da saúde.
Sendo assim, a moléstia é uma
desordem vital da dinâmica geral. É dessa desordem dinâmica que emanam, em
seguida, predisposições hereditárias e circunstâncias especiais do meio ou do
indivíduo, as localizações anatômicas acompanhadas de uma série de sintomas
particulares.
As moléstias são gerais: não
existem moléstias mentais ou corporais. O que há, na realidade, são formas de
moléstias, em que em alguns indivíduos manifestam-se de uma forma, e em outros,
de outra.
A homeopatia busca tratar o
doente, e não a doença, pois cada doença é particular a um indivíduo.
É possível dizer que um estado ideal de saúde não existe: consiste apenas em uma série de oscilações funcionais em torno de um tipo normal hipotético ou abstrato. Habitualmente, essas oscilações se mantém dentro de certos limites, dentro de uma certa medida. Quando essas oscilações se afastam muito do tipo normal, diz-se que há moléstia.
